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Compartilho com os irmãos a Ave Maria, de tão boas vibrações, em emocionante versão divulgada no You Tube (Andre Rieu e orquestra; Alemanha, concerto Maastricht 2008).
Usem o seguinte endereço eletrônico: em http://www.youtube.com/watch?v=TkY9HtwXNU8
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quinta-feira, 29 de abril de 2010
HERMETISMO - sincronicidade, doença, causa e efeito
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O assunto seria suficiente para produzir enciclopédias, mas vamos aqui tentar tratá-lo em breves linhas.
A doutrina básica do Hermetismo, conhecida como CAIBALION, foi transmitida de mestre a discípulo, perdendo-se o exato significado ao longo da história. Mas, pela leitura do CAIBALION, encontramos interessante relato sobre as máximas, axiomas e preceitos que considera acerca das chamadas leis universais postuladas por Hermes Trimegisto (de "o três vezes grande"), reconhecidas e atestadas pela física, dentro de uma concepção holística.
Hermes Trimegisto é considerado o pai da ciência oculta, da alquimia e da astrologia e consta que viveu no antigo Egito, contemporâneo de Abraão e, se a lenda for verdadeira, um seu instrutor. Diz a lenda que, após sua morte, no Egito, fizeram-no um dos seus deuses, sob o nome de Thoth, por muito tempo reverenciado como o mensageiro dos Deuses.
Na Grécia, foi reverenciado como Hermes, o deus da sabedoria e, como também nos países antigos, como fonte da sabedoria.
As cogitadas leis definidas pelos postulados de Hermes, são:
1 - o princípio do mentalismo, pelo qual "o Todo é Mente"; o Universo Mental;
2 - o princípio da correspondência: "o que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima"...
Seria algo como o "assim na Terra como no Céu", que falamos na oração do Pai Nosso...
3 - o princípio da vibração, pelo qual "nada está parado e tudo se move e vibra";
4 - o princípio da polaridade: tudo é duplo, tem dois pólos e o seu oposto; o igual e o desigual se confundem e são a mesma coisa; os opostos são idênticos, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados;
5 - o princípio do ritmo: tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, a medida que o movimento à direita é a medida do movimento da esquerda, o ritmo é a compensação e tudo se manifesta por oscilações compensadas;
6 - o princípio da causa e efeito: toda a causa tem o seu efeito e todo o efeito tem sua causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o acaso é simplesmente o nome dado a uma lei não conhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei;
7 - o princípio do Gênero: o Gênero se manifesta em todos os planos; tudo tem o seu princípio masculino e feminino; o Gênero está em tudo.
A respeito, o princípio da correspondência já foi comrpovado em estudos físicos e comparações entre diferentes dimensões da realidade, sendo o microcosmo como o macrocosmo, próximo da idéia da oração de que é assim na Terra como no Céu.
O princípio do gênero também se encontra nas idéias de complementaridade, tanto quanto o Universo Mental, foi comprovado pelos neurocientistas Humberto Maturana e Francisco Varela.
O da causa é efeito ainda é polêmico fora dos iniciados, mas os antigos alquimistas já observavam que certos acontecimentos ocorriam não por eventos aleatórios, mas por obediência a uma cadeia de causas, que interferem nos reslutados. Por tal idéia, haveria uma interação entre o campo do observador e o campo das elementares particulas envolvidas no processo, que também tem vibração e essa interação entre esses atores permite o surgimento de uma terceira natureza vibratória (tudo vibra, tudo interage...) ! Também a idéia de ponto de vista, tão estudada, decorre do fato de que a cadeia de causas é em si desconhecida do observador, que analisa so fatos do mundo que contempla, embora sinta a influência do que desconhece... Desse modo, podemos entender que os estudos alquímicos já afirmavam que o acaso é a interpretação de um evento cujas causas não foram conhecidas ou integralmente percebidas pelo observador. David Bohm postulou que "tudo o que acontece na ordem explícita é expressão da ordem do reino implícito", estando, aqui, de novo, a idéia do macrocosmo e do microcosmo, antes comentada, ou seja, TUDO interage e contribui para o resultado. Por isso os bons pensamentos e a motivação harmoniosa são tão importantes quanto o querer.
Por tais pensamentos, já podemos entender que há uma sincronicidade necessária para o processo de criação de uma dada realidade, que depende, sim, da combinação do todo e de uma atuação consciente auto-organizadora.

Somos, assim, capazes de nos conectarmos com o Todo e produzirmos uma mudança na trafetória existencial, mais ou menos segundo as idéias dos antigos alquimistas, que chamavam isso de a Grande Obra... Bohm, Whitehead e Teilhard de Chardin consideraram que os elétrons ou fótons parecem ser suscetíveis e reagir às mudanças do ambiente... interessante, né!?
Goethe chegou a escrever:
... "pelo estudo desses livros poderia a própria pessoa adquirir este terouro, o que era por otura parte tanto mais necessário quanto que, por razões sobretudo morais, dificil transmitir o segrdo de sua preparação. Mais ainda assim, para compreender, perparar e utilizar a Grande Obra, haveira de se conhecer a Natureza em todas as suas relações secretas, já que não se tratava de uma coisa particular, senão de um princípio universal, que podia, por outra parte, obter-se sob formas e aspectos diversos"...
... Sem muito mais aqui nos alongarmos, embora possamos a respeito voltar noutro momento, podemos dizer que aquilo que chamamos de "cura" é o somatório de diversas particularidades que formam um todo, mais ou menos como a idéia de sincronicidade, de um equilíbrio, que fica mais facil de ser compreendido se aceitarmos que a "doença" é desequilibrio e desarmonia e falta de integração.
A esse modo de pensar se dá o nome de TEORIA DAS PONTES FUNDAMENTAIS, que religam as velhas e sábias lições com o que os físicos quanticos apontam como TEORIA UNIFICADA DE TUDO, ou T.O.E - TEORIA DE TUDO ("Theory of ererything").
E, da nossa ligação com Deus e com os demais elementos do Mundo (do conhecido e do hermético) chegariamos à idéia de que "O TODO representa mais que a soma das partes".
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(estudo baseado nos livros O CAIBALION; ESTUDO DA FILOSOFIA HERMÉTICA DO ANTIGO EGITO E DA GRÉCIA e UMA SINCRONICIDADE PARA A CURA, o primeiro traduzido por Rosabis Camaysar, ed. Pensamento, SP e o segundo de Miria de Amorim, ed. Caravansarai).
O assunto seria suficiente para produzir enciclopédias, mas vamos aqui tentar tratá-lo em breves linhas.
A doutrina básica do Hermetismo, conhecida como CAIBALION, foi transmitida de mestre a discípulo, perdendo-se o exato significado ao longo da história. Mas, pela leitura do CAIBALION, encontramos interessante relato sobre as máximas, axiomas e preceitos que considera acerca das chamadas leis universais postuladas por Hermes Trimegisto (de "o três vezes grande"), reconhecidas e atestadas pela física, dentro de uma concepção holística.
Hermes Trimegisto é considerado o pai da ciência oculta, da alquimia e da astrologia e consta que viveu no antigo Egito, contemporâneo de Abraão e, se a lenda for verdadeira, um seu instrutor. Diz a lenda que, após sua morte, no Egito, fizeram-no um dos seus deuses, sob o nome de Thoth, por muito tempo reverenciado como o mensageiro dos Deuses.
Na Grécia, foi reverenciado como Hermes, o deus da sabedoria e, como também nos países antigos, como fonte da sabedoria.
As cogitadas leis definidas pelos postulados de Hermes, são:
1 - o princípio do mentalismo, pelo qual "o Todo é Mente"; o Universo Mental;
2 - o princípio da correspondência: "o que está em cima é como o que está embaixo e o que está embaixo é como o que está em cima"...
Seria algo como o "assim na Terra como no Céu", que falamos na oração do Pai Nosso...
3 - o princípio da vibração, pelo qual "nada está parado e tudo se move e vibra";
4 - o princípio da polaridade: tudo é duplo, tem dois pólos e o seu oposto; o igual e o desigual se confundem e são a mesma coisa; os opostos são idênticos, mas diferentes em grau; os extremos se tocam; todas as verdades são meias verdades; todos os paradoxos podem ser reconciliados;
5 - o princípio do ritmo: tudo tem fluxo e refluxo, tudo tem suas marés, tudo sobe e desce, a medida que o movimento à direita é a medida do movimento da esquerda, o ritmo é a compensação e tudo se manifesta por oscilações compensadas;
6 - o princípio da causa e efeito: toda a causa tem o seu efeito e todo o efeito tem sua causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o acaso é simplesmente o nome dado a uma lei não conhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei;
7 - o princípio do Gênero: o Gênero se manifesta em todos os planos; tudo tem o seu princípio masculino e feminino; o Gênero está em tudo.
A respeito, o princípio da correspondência já foi comrpovado em estudos físicos e comparações entre diferentes dimensões da realidade, sendo o microcosmo como o macrocosmo, próximo da idéia da oração de que é assim na Terra como no Céu.
O princípio do gênero também se encontra nas idéias de complementaridade, tanto quanto o Universo Mental, foi comprovado pelos neurocientistas Humberto Maturana e Francisco Varela.
O da causa é efeito ainda é polêmico fora dos iniciados, mas os antigos alquimistas já observavam que certos acontecimentos ocorriam não por eventos aleatórios, mas por obediência a uma cadeia de causas, que interferem nos reslutados. Por tal idéia, haveria uma interação entre o campo do observador e o campo das elementares particulas envolvidas no processo, que também tem vibração e essa interação entre esses atores permite o surgimento de uma terceira natureza vibratória (tudo vibra, tudo interage...) ! Também a idéia de ponto de vista, tão estudada, decorre do fato de que a cadeia de causas é em si desconhecida do observador, que analisa so fatos do mundo que contempla, embora sinta a influência do que desconhece... Desse modo, podemos entender que os estudos alquímicos já afirmavam que o acaso é a interpretação de um evento cujas causas não foram conhecidas ou integralmente percebidas pelo observador. David Bohm postulou que "tudo o que acontece na ordem explícita é expressão da ordem do reino implícito", estando, aqui, de novo, a idéia do macrocosmo e do microcosmo, antes comentada, ou seja, TUDO interage e contribui para o resultado. Por isso os bons pensamentos e a motivação harmoniosa são tão importantes quanto o querer.
Por tais pensamentos, já podemos entender que há uma sincronicidade necessária para o processo de criação de uma dada realidade, que depende, sim, da combinação do todo e de uma atuação consciente auto-organizadora.

Somos, assim, capazes de nos conectarmos com o Todo e produzirmos uma mudança na trafetória existencial, mais ou menos segundo as idéias dos antigos alquimistas, que chamavam isso de a Grande Obra... Bohm, Whitehead e Teilhard de Chardin consideraram que os elétrons ou fótons parecem ser suscetíveis e reagir às mudanças do ambiente... interessante, né!?
Goethe chegou a escrever:
... "pelo estudo desses livros poderia a própria pessoa adquirir este terouro, o que era por otura parte tanto mais necessário quanto que, por razões sobretudo morais, dificil transmitir o segrdo de sua preparação. Mais ainda assim, para compreender, perparar e utilizar a Grande Obra, haveira de se conhecer a Natureza em todas as suas relações secretas, já que não se tratava de uma coisa particular, senão de um princípio universal, que podia, por outra parte, obter-se sob formas e aspectos diversos"...
... Sem muito mais aqui nos alongarmos, embora possamos a respeito voltar noutro momento, podemos dizer que aquilo que chamamos de "cura" é o somatório de diversas particularidades que formam um todo, mais ou menos como a idéia de sincronicidade, de um equilíbrio, que fica mais facil de ser compreendido se aceitarmos que a "doença" é desequilibrio e desarmonia e falta de integração.
A esse modo de pensar se dá o nome de TEORIA DAS PONTES FUNDAMENTAIS, que religam as velhas e sábias lições com o que os físicos quanticos apontam como TEORIA UNIFICADA DE TUDO, ou T.O.E - TEORIA DE TUDO ("Theory of ererything").
E, da nossa ligação com Deus e com os demais elementos do Mundo (do conhecido e do hermético) chegariamos à idéia de que "O TODO representa mais que a soma das partes".
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(estudo baseado nos livros O CAIBALION; ESTUDO DA FILOSOFIA HERMÉTICA DO ANTIGO EGITO E DA GRÉCIA e UMA SINCRONICIDADE PARA A CURA, o primeiro traduzido por Rosabis Camaysar, ed. Pensamento, SP e o segundo de Miria de Amorim, ed. Caravansarai).
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Chico Xavier - Deus em tudo
ESPIRITISMO E DOGMA
Dogma pode ser definido como o ponto fundamental e indiscutível, de uma doutrina, seja religiosa ou de qualquer doutrina ou sistema.
Sob esse modo de pensar, o Espiritismo não tem dogmas, pois todos os seus postulados são passíveis de serem discutidos e analisados, mediante a luz que a ciência possa sobre eles fazer incidir.
Mas, apesar disso, tem sim o espiritismo um corpo doutrinário, mas não dogmático e sua filosofia redunda em consequencias morais e religiosas, mas não de uma religião dogmática.
Não costumamos nos limitar a dizer que isso ou aquilo ocorrem deste modo por um "mistério da fé"... Procuramos indagar, discutir, investigar, pesquisar e ao máximo tentar chegar à luz de todas as idéias... afastar a idéia de "fé cega"...
Os pontos fundamentais do espiritismo são (1) a existência de Deus, (2) a existÊncia do espírito, (3) a reencarnação, (4) a comunicabilidade dos espíritos e a (5) pluralidade dos mundos habitados.
N`alguns momentos identificamos nos dogmas religiosos um certo terrorismo psicólogico (o pecado original, etc) que mais podem escravizar do que libertar... Notemos, a propósito, que é comum que nos momentos de maior necessidade estejamos mais fragilizados e precisando ser recebidos de braços abertos, acolhidos... e não ser "vistos como pecadores"... (baseado no versado no livro Teologia Espírita, de L. Palhano Jr.)
Sob esse modo de pensar, o Espiritismo não tem dogmas, pois todos os seus postulados são passíveis de serem discutidos e analisados, mediante a luz que a ciência possa sobre eles fazer incidir.
Mas, apesar disso, tem sim o espiritismo um corpo doutrinário, mas não dogmático e sua filosofia redunda em consequencias morais e religiosas, mas não de uma religião dogmática.
Não costumamos nos limitar a dizer que isso ou aquilo ocorrem deste modo por um "mistério da fé"... Procuramos indagar, discutir, investigar, pesquisar e ao máximo tentar chegar à luz de todas as idéias... afastar a idéia de "fé cega"...
Os pontos fundamentais do espiritismo são (1) a existência de Deus, (2) a existÊncia do espírito, (3) a reencarnação, (4) a comunicabilidade dos espíritos e a (5) pluralidade dos mundos habitados.
N`alguns momentos identificamos nos dogmas religiosos um certo terrorismo psicólogico (o pecado original, etc) que mais podem escravizar do que libertar... Notemos, a propósito, que é comum que nos momentos de maior necessidade estejamos mais fragilizados e precisando ser recebidos de braços abertos, acolhidos... e não ser "vistos como pecadores"... (baseado no versado no livro Teologia Espírita, de L. Palhano Jr.)
Para refleção: "UM APÓLOGO", de Machado de Assis
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Um Apólogo (Machado de Assis)
Certo dia uma agulha disse a um novelo de linha:
— Por que está você se sente tão cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nesta discussão, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
_____________________________________________________________________________________
... "assuma as rédeas da sua vida, com coragem..."
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Um Apólogo (Machado de Assis)
Certo dia uma agulha disse a um novelo de linha:
— Por que está você se sente tão cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?
— Deixe-me, senhora.
— Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.
— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.
— Mas você é orgulhosa.
— Decerto que sou.
— Mas por quê?
— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?
— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?
— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...
— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...
— Também os batedores vão adiante do imperador.
— Você é imperador?
— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...
Estavam nesta discussão, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:
— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...
A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:
— Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.
Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
— Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.
Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:
— Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!
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... "assuma as rédeas da sua vida, com coragem..."
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